Nelson Júnior é guitarrista profissional, professor de guitarra e atua em diversas áreas do ramo. Nelson Júnior vai contar um pouco sobre a sua história como guitarrista, curiosidades e dará algumas dicas aos guitarristas profissionais e iniciantes.

Nelson Júnior - Guitarrista

1) Quando começou a tocar, o que lhe fez escolher a guitarra e com qual instrumento (marca/modelo) iniciou?

NJ: Eram outros tempos, e não tínhamos muitas opções, pois como comecei com 13 anos, e hoje, estou com 40 anos completados nesse mês de novembro, não tínhamos lojas e mais lojas de instrumento, e nem todo mundo tinha acesso, sem falar que quando alguém tinha uma guitarra melhorzinha, era caravana de amigos para ver o instrumento, portanto comecei com uma guitarra chamada Finch, que ganhei no meu aniversário de 13 anos, e que era um modelo Explorer preto, que depois foi pintada de vermelho, e que com o tempo foi sendo “desmontada” depois que já tinha uma guitarra melhor; ela foi meu laboratório para compreender melhor meu instrumento

2)   Fale sobre sua trajetória como guitarrista, bandas que já fez parte, apresentações, estudos e curiosidades.

NJ: Bom, comecei com 13 anos, sendo apresentado a um guitarrista excepcional, que foi meu professor, que na época não era um cara tão conhecido como é hoje, que foi o Eduardo Ardanuy (Dr. Sin), e ele tornou-se um grande amigo meu mesmo, frequentava constantemente a casa da família Ardanuy, e sempre tive um carinho enorme pelo Edu e seus irmãos, além de seus pais. Tive como todo mundo minhas bandas de escola, mas minha convivência prematura na música, inclusive sendo roadie do Edu, foi bem bacana, além de muito cedo, mais ou menos um ano e meio depois, eu ter começado a dar aulas, pois eu devorei a guitarra literalmente, estudando umas 8 horas diárias.

Lembro-me de acordar de noite, abrir o estojo da finch e estudar com ela desligada até a hora de ir para escola, e com 14 ou 15 anos eu tive minha primeira Guitarra boa, uma Tagima (das de verdade mesmo, feitas pelo Seizi Tagima), quando ele tinha uma oficininha lá na lagoa, e se ele tem uns 31 anos de luthieria, eu como tenho 27 anos de guitarra, conheço ele a no mínimo 26 anos. Além de dar aulas, sempre atuei tocando em bandas de Rock que tiveram algum destaque no cenário paulista, como Neri, Stone Hawks, etc… porém uma das coisas que foi interessante para mim foi quando os trabalhos em estúdio começaram a aparecer, pois isso abriu as portas tanto para minha vida de músico side man, quanto para minha vida de produtor musical, que embora não seja ligada ao mercadão comercial, teve bons momentos em termos de realizações sinceras.

Eu acompanhando artistas e aprendi muita coisa, que só se aprende na prática, que é a hora de acatar, a hora de calar, a hora de falar e a hora de cair fora, pois muita gente no ramo, quer você tirando 40 musicas em 3 dias, quer na hora do show mudar o repertório, e não quer pagar nem ensaio nem quer pagar decentemente o show, e isso é injusto “pacas”. As vezes um trio tocando Rush num barzinho paga melhor do que você tocar numa banda de Axé, com outros 20 caras, pois embora entupido de shows, você toca o que não quer, para um artista que não te respeita. Porém ser flexível é a palavra e acompanhar artistas, é sempre legal se existe uma relação de respeito, pois é trabalho, e ninguém precisa ser “amigo de infância”, mas proximidade ajuda muito.

Uma coisa que vai te chatear nesse “trampo” com artistas e você vai ter que engolir, é que o cara sempre acha que compôs as musicas sozinho, mesmo não sabendo tocar, ou vocês não notaram que mesmo dentro do rock, tem cara que grava, e o que caracteriza a música do cara é um Riff de Guitarra marcante, que com certeza veio do músico, e não da letra do cara, mas existem exceções raras, em que lembram da gente. Em trabalhar contratado, fazer jingles, spots e trilhas tem também seu lado bom e ruim, mas em geral, tem sempre alguém em alguma agência de propaganda falando pro cliente que quem criou o jingle foi ele, e não você, e ele anda de BMW, e você volta com um “cachezinho” pra casa, mas é como as coisas são no Brasil.

Depois de ter feito de tudo, escrito para praticamente todas as revistas importantes de música no Brasil, tanto segmentadas quanto de rock, ter gravado muito mesmo, com muita gente, ter tocado e feito uma porrada de workshops, o que me emociona mais, é ver ainda o desenvolvimento de um aluno, e a felicidade que ele passa em ter aprendido algo que sonhava fazer, principalmente caras que ou nada sabem, ou estudaram forçadamente outras coisas, não tido oportunidade de seguir a música.

3)   Fale a respeito de seu setup atual e dê algumas dicas sobre equipamentos.

NJ: Eu uso Zoom há mais de 15 anos, e digo usar exclusivamente Zoom, e a marca sempre funcionou para mim, e embora eu seja um pouco mais do que endorsee, pois sou o especialista de produto da marca no Brasil. Isso mesmo; Quando vocês mandam um email, quem responde da parte da importadora sou eu, porém, como é um “trampo online” e nas lojas. Aprendi que está cheio de equipamentos no mercado que ninguém conhece e que são bons e outros que todos falam bem e são ruins e limitados.

Uma coisa que acho engraçado, é a história do analógico e digital, pois se fosse carro, ninguém discutia sobre usar um Ford bigode, ou uma Ferrari, mas ninguém se opõe a pagar preço de ouro por um analógico, que muitas vezes só serve de booster, ou não é verdade que o pedal signature do Vai, chamado Gemini, é um overdrivezinho comum, que tem preço de pedaleira cara.

Eu dou treinamentos explicando sobre as verdades e lendas do analógico e digital, e em geral, quem realmente estuda o assunto, sabe que hoje até plugins bem feitos são extremamente funcionais. Uso por causa do lance de ser especialista Zoom, toda linha Zoom, mas os meus favoritos pela praticidade e som, são o G2.1Nu, e a G3, porque depois de uma certa idade a gente não consegue mais carregar um monte de coisas.

Sempre dou preferência por amplificadores que sejam bons em termos de som limpo, por que é isso que você quer se vai usar efeitos externos, sejam pedais ou multiefeitos, porém é bom ter um amplificador que se vire bem sozinho. Gosto muito dos laney, mas os Fender (principalmente da linha nova, Mustang), e os Mesa Boogie também falam ao meu coração.

Agora estes dias eu experimentei um amplificador chamado Black Star, que é simplesmente magnífico, pois é uma marca de amplificadores de caras que trabalhavam na Marshall e criaram um projeto novo e saíram da Marshall, e para quem gosta de válvulas, esse é bem incrível. Só uso looping de efeitos se ele for looping insert, ou se funcionar para anular o pré do amplificador, sendo como um Power in,  do contrário uso sempre o imput do amplificador, no entanto existem amps onde usar pedaleira requer usar ela Omo pré.

Cabos são fundamentais, e uso sempre Dimarzio, Ernie Ball, ou Monster Cable, com relação a cordas uso 0,11 Ernie Ball, uso Captadores Dimarzio Agora, usando um evolution na ponte e dois virtual vintage na minha KZ custom made do Seizi Tagima, e na Minha Seizi de linha, uso ela 100% original, made in china, pois o som me agrada nela, só que tem um pormenor, ela não tem Floyd Gotoh, então é uma bem strat style, ao contrário da custom made. Tenho outras guitarras, inclusive uma fretless, mas o set up de dia a dia é esse atualmente.

4) Dê algumas dicas para os guitarristas iniciantes.

NJ: Simples: Estudem como se fossem querer ser os melhores do universo, hajam como se fossem os que mais tem a aprender, ouçam música sem ouvir virtuosismo, ouçam melodias, no entanto, estudem virtuosismo sempre, pois tocar bem e ter bom gosto nem sempre andam juntos, e se conseguirem se adequar a isso, as coisas melhoram, e muito.

Outra coisa importante, é que compreendam que o mercado é cheio de vícios, e nós só conseguimos algo ora das panelinhas, se formos perseverantes e trabalhadores, e que música é um templo chamado força de vontade.

5) Espaço aberto para divulgação de shows, workshops, lançamento de material, produtos, etc…

NJ: Dou aulas em São Paulo, e no Grande ABC,  estou preparando algumas coisas, inclusive um programa de internet que vai ser bem legal, porém sempre incentivo o pessoal a clicar nas propagandas que você pode ver nos vídeos que posto, pois elas garantem uma remuneração do Google, e como isso é algo interessante para expandir projetos, sempre é bom falar.

Canal de Nelson Júnior no Youtube:

http://www.youtube.com/theguitarmaniac2

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